Pular para o conteúdo

Glaucoma: o que é e quais são os sintomas

O que é glaucoma e quais os sintomas? Entenda tipos, sinais, diagnóstico e quando a avaliação oftalmológica é necessária.

Compartilhar
Dr. Francisco Lima
Dr. Francisco Lima

Dr. Francisco Lima

Publicado

Atualizado

Tempo leitura

13 min

Áudio

17 min

Close-up de um olho humano com a íris em destaque, mostrando detalhes da pupila e do reflexo da luz.

Ouvir o artigo

0:00
17:21

Entender o glaucoma ajuda a reconhecer mudanças na visão e a buscar avaliação no momento adequado, mesmo quando os sinais ainda são discretos.

Resposta rápida

Glaucoma é uma doença que pode danificar o nervo óptico, muitas vezes associada ao aumento da pressão dentro do olho. Em sua forma mais comum, evolui silenciosamente e começa a comprometer a visão periférica, por isso a pessoa pode não perceber alterações no início. Em crises de ângulo fechado, podem surgir dor forte nos olhos ou na cabeça, visão turva, halos ao redor das luzes, vermelhidão, náuseas e vômitos. A confirmação depende de exame oftalmológico, com avaliação da pressão ocular, do nervo óptico e do campo visual. A cirurgia é considerada em situações específicas para ajudar a controlar a doença e preservar a visão já existente.

Resumo

  • O glaucoma pode lesar o nervo óptico e comprometer a visão, mesmo antes de provocar sintomas claros.

  • A forma de ângulo aberto costuma evoluir lentamente, com perda da visão periférica e possíveis pontos cegos.

  • Dor intensa, olhos vermelhos, visão turva, halos, náuseas ou vômitos exigem avaliação médica rápida.

  • O diagnóstico combina exame clínico e testes como tonometria, campimetria, gonioscopia e avaliação do nervo óptico.

  • A cirurgia pode ajudar no controle da pressão ocular em casos indicados, mas não recupera a visão já perdida.

Ilustração médica mostrando o nervo óptico danificado devido ao glaucoma.

O que é glaucoma?

Glaucoma é uma doença ocular em que o nervo óptico sofre danos, frequentemente relacionados ao aumento da pressão intraocular ou a alterações na drenagem do líquido do olho. Sem acompanhamento adequado, a lesão pode avançar e comprometer a visão de forma permanente.

O nervo óptico funciona como uma via de comunicação entre o olho e o cérebro. Quando suas fibras são danificadas, a informação visual deixa de ser transmitida de modo adequado. O Ministério da Saúde define o glaucoma como uma doença ocular que danifica esse nervo e pode levar à perda de visão.

Dentro do olho circula o humor aquoso, um líquido diferente da lágrima e também diferente do humor vítreo, que ocupa a parte posterior do globo ocular. Esse líquido precisa ser produzido e drenado continuamente. Quando a saída encontra resistência, a pressão intraocular pode se elevar e aumentar o estresse sobre estruturas sensíveis, inclusive o nervo óptico.

A pressão ocular é um fator importante, mas o diagnóstico não deve ser reduzido a um único número. Algumas pessoas desenvolvem dano no nervo com pressões que não parecem muito altas, enquanto outras podem apresentar pressão elevada sem a mesma evolução. Por isso, o oftalmologista observa o conjunto de achados, o histórico e a progressão ao longo do tempo.

O glaucoma é considerado uma das principais causas de cegueira irreversível no Brasil e no mundo. A perda visual já estabelecida não costuma ser recuperada, mas o acompanhamento pode permitir decisões voltadas à preservação da visão remanescente. Na visão do Dr. Francisco Lima, a investigação precisa ser cuidadosa justamente porque o silêncio da doença pode atrasar a percepção do problema.

Pessoa idosa com expressão de preocupação, tocando a lateral da cabeça.

Quais são os principais sintomas do glaucoma?

Os sintomas dependem do tipo e do estágio do glaucoma. A forma de ângulo aberto costuma não dar sinais no começo, enquanto uma elevação súbita da pressão pode provocar manifestações intensas e exigir atendimento rápido.

Dores nos olhos e na cabeça

Dor no olho ou na cabeça não aparece em todos os casos. No glaucoma de evolução lenta, a pessoa pode permanecer sem dor, mesmo enquanto ocorre dano progressivo. Já em uma crise de ângulo fechado, a dor pode surgir de maneira forte, muitas vezes acompanhada de dor na testa ou ao redor dos olhos.

A dor intensa pode vir com visão turva, vermelhidão, náusea e vômito. Essa combinação não deve ser atribuída automaticamente a cansaço visual ou a uma dor de cabeça comum. Quando aparece de forma súbita, é prudente buscar avaliação oftalmológica com rapidez, pois o tempo pode influenciar a preservação das estruturas oculares.

Contornos nos objetos (halos)

Halos são arcos ou contornos luminosos percebidos ao redor de lâmpadas, faróis e outras fontes de luz. Eles podem acompanhar visão embaçada e são especialmente relevantes quando surgem junto de dor ocular, vermelhidão ou mal-estar.

Esse sintoma não confirma glaucoma sozinho, porque alterações da córnea, do cristalino e outras condições também podem modificar a maneira como a luz é percebida. Ainda assim, halos novos ou intensos merecem avaliação, sobretudo quando aparecem de forma repentina.

Diminuição do campo de visão

A perda glaucomatosa frequentemente começa nas áreas laterais da visão. Segundo o National Eye Institute, a perda visual no glaucoma geralmente começa pela visão periférica. No cotidiano, isso pode se manifestar como esbarrar em objetos, não perceber alguém ao lado ou ter dificuldade em situações que exigem atenção ao que está fora do centro do olhar.

Com a progressão, podem surgir pontos cegos e uma sensação de que a visão está se estreitando, como se o espaço observado ficasse mais concentrado no centro. A pessoa pode se adaptar sem notar a mudança, especialmente quando um olho compensa parcialmente o outro. Por isso, a ausência de queixa não exclui a doença.

No glaucoma de ângulo aberto, essa perda costuma avançar gradualmente ao longo de meses ou anos. Dificuldade para dirigir, tropeços e esbarrões frequentes não provam a existência de glaucoma, mas são motivos para uma avaliação completa.

Sensibilidade excessiva à luz

Fotofobia é o desconforto ou a sensibilidade aumentada diante da luz. Algumas pessoas passam a evitar ambientes muito iluminados, apertam os olhos ou percebem uma sensação de estranheza ao sair de um local escuro para um ambiente claro.

No glaucoma, esse achado pode aparecer junto de lacrimejamento, visão borrada ou halos, principalmente em quadros de instalação aguda. Isoladamente, porém, não permite concluir que exista glaucoma. A avaliação precisa considerar a córnea, o cristalino, a retina, o nervo óptico e outras causas possíveis.

Gráfico comparativo mostrando diferentes tipos de glaucoma, com ilustrações médicas.

Quais são os tipos de glaucoma?

Os tipos mais conhecidos são o glaucoma de ângulo aberto, o glaucoma de ângulo fechado e o glaucoma congênito. Eles diferem pela anatomia da drenagem, pela velocidade de evolução, pela idade de manifestação e pelo padrão de sintomas.

Glaucoma de ângulo aberto

É a forma mais comum e costuma se desenvolver lentamente. O ângulo de drenagem permanece aparentemente aberto, mas o escoamento do humor aquoso pode ser insuficiente. A pressão pode se elevar ou o nervo pode sofrer dano mesmo sem uma elevação muito evidente em uma medida isolada.

No início, geralmente não há dor nem alteração perceptível. Com o tempo, a visão periférica pode apresentar pontos cegos e perda progressiva. Como o cérebro tende a completar informações ausentes e o outro olho pode compensar parte da dificuldade, exames periódicos são importantes para quem tem fatores de risco ou histórico familiar.

Glaucoma de ângulo fechado

Nesse tipo, a anatomia do olho favorece o estreitamento ou o bloqueio do caminho de drenagem. Quando o fechamento ocorre rapidamente, a pressão intraocular pode subir de forma abrupta. O quadro pode provocar dor forte, olho vermelho, visão turva, halos, dor de cabeça, náuseas e vômitos.

A instalação súbita com sintomas intensos é diferente da evolução silenciosa típica do ângulo aberto. Uma crise com esse padrão precisa de atendimento médico rápido. Nem toda dor ocular é glaucoma, mas a associação entre dor forte e alteração visual não deve ser aguardada em casa.

Glaucoma congênito

O glaucoma congênito está presente desde o nascimento e é raro. Em bebês e crianças pequenas, sinais possíveis incluem incômodo com a luz, lacrimejamento, tendência a manter os olhos fechados, aumento do tamanho dos olhos ou aparência esbranquiçada.

A doença pode se manifestar desde o nascimento até os primeiros anos de vida. O teste do olhinho e as consultas pediátricas ajudam a identificar alterações que precisam de investigação oftalmológica. Em crianças, a observação dos responsáveis é importante, mas não substitui o exame especializado.

Agende sua consulta com o Dr. Francisco Lima

Consulta com tempo dedicado e avaliação criteriosa da sua saúde ocular. Fale com a clínica pelo WhatsApp.

Agendar consulta
Fatores de risco para glaucoma representados por ícones: histórico familiar, idade, diabetes.

O que leva uma pessoa a ter glaucoma?

O glaucoma não surge por uma única razão em todas as pessoas. A dificuldade de drenagem do humor aquoso é um mecanismo frequente, mas a vulnerabilidade do nervo óptico e a anatomia de cada olho também participam. A pressão intraocular elevada é um fator relevante, não uma explicação completa para todos os casos.

A idade aumenta a probabilidade de encontrar a doença, especialmente após os 40 anos. Histórico familiar também pesa: ter parentes com glaucoma não significa que a pessoa desenvolverá a condição, mas torna mais importante conversar com um oftalmologista sobre a frequência adequada de acompanhamento.

Diabetes e pressão alta podem estar associados a maior risco, assim como miopia ou hipermetropia de grau alto. O uso prolongado de colírios corticoides também é citado como fator de risco. Essas informações devem ser discutidas na consulta para que o profissional interprete o contexto ocular e clínico completo.

Há ainda diferenças anatômicas entre os olhos que podem favorecer o fechamento do ângulo. Por isso, duas pessoas com a mesma idade ou a mesma pressão medida podem ter riscos distintos. A avaliação individual orienta quais exames são necessários e como acompanhar possíveis mudanças.

Visão periférica reduzida, simulando o efeito do túnel em um paciente com glaucoma.

Quais são os primeiros sinais do glaucoma?

Os primeiros sinais podem ser discretos ou inexistentes. No glaucoma de ângulo aberto, a mudança mais típica é a perda gradual da visão periférica, enquanto crises de ângulo fechado tendem a produzir dor e alteração visual de início súbito.

No começo, a pessoa pode continuar lendo, usando o celular e reconhecendo rostos sem dificuldade. Isso acontece porque a visão central costuma ser preservada por bastante tempo, enquanto pequenas falhas laterais passam despercebidas. A doença pode avançar sem dor e sem uma sensação clara de piora.

Alguns indícios merecem atenção: esbarrar repetidamente em móveis, ter dificuldade para perceber pessoas ao lado, adaptar a cabeça para enxergar melhor, notar pontos cegos ou perceber halos que antes não existiam. Dificuldade para enxergar à noite e visão embaçada também precisam ser investigadas, embora não sejam específicas do glaucoma.

Em bebês, lacrimejamento persistente, aversão à luz e olhos aparentemente aumentados ou esbranquiçados são sinais que justificam avaliação rápida. Em adultos, dor intensa, olho vermelho, perda súbita da visão, náuseas ou vômitos formam um quadro diferente da evolução silenciosa e pedem atendimento sem demora.

O ponto central é não esperar o aparecimento de sintomas para cuidar da saúde ocular. Muitas formas de glaucoma não apresentam sinais de alerta no início. Exames regulares permitem comparar resultados e identificar alterações antes que a pessoa perceba uma limitação no cotidiano.

Oftalmologista examinando o olho de um paciente com equipamento médico.

Como confirmar o diagnóstico de glaucoma?

A confirmação é feita pelo oftalmologista com a combinação de história clínica, exame dos olhos e testes que avaliam pressão, nervo óptico e campo visual. Nenhum exame isolado deve ser interpretado fora desse conjunto.

A tonometria mede a pressão dentro do olho. A campimetria computadorizada avalia o campo visual e pode mostrar áreas de sensibilidade reduzida. A gonioscopia permite observar o ângulo de drenagem e ajuda a diferenciar mecanismos de ângulo aberto e fechado.

Na oftalmoscopia, o profissional examina o nervo óptico em busca de alterações compatíveis com dano. A tomografia de coerência óptica, conhecida como OCT, produz imagens detalhadas de estruturas oculares e pode contribuir para acompanhar a espessura de camadas relacionadas ao nervo. Retinografia também pode documentar a aparência do fundo do olho para comparações posteriores.

A espessura da córnea pode influenciar a interpretação da pressão, por isso a paquimetria pode ser solicitada. O médico também considera idade, histórico familiar, grau refrativo, doenças associadas, sintomas e resultados anteriores. Em alguns casos, testes complementares ajudam a esclarecer o risco ou a evolução.

Um resultado alterado não deve ser interpretado de forma automática pelo paciente. Da mesma maneira, uma pressão dentro de uma faixa aparentemente habitual não exclui dano no nervo. O diagnóstico depende da correlação entre os achados e do acompanhamento ao longo do tempo.

Cirurgia de glaucoma em andamento, com instrumentos médicos e foco no olho.

Como Cirurgia do glaucoma pode ajudar

A cirurgia do glaucoma pode ajudar a reduzir ou controlar a pressão intraocular quando a avaliação indica que outras medidas não são suficientes ou quando a anatomia e o estágio da doença favorecem uma abordagem cirúrgica. O objetivo é preservar a visão que ainda existe, não recuperar a perda já estabelecida.

O controle do glaucoma pode envolver estratégias diferentes, escolhidas conforme o tipo da doença, a anatomia ocular, a pressão observada, a aparência do nervo óptico, o campo visual e a velocidade de progressão. Em alguns casos, o tratamento cirúrgico busca melhorar a saída do humor aquoso; em outros, reduz a produção desse líquido ou cria uma via alternativa de drenagem.

Na Cirurgia do glaucoma, o Dr. Francisco Lima atua com procedimentos que incluem iridotomia a laser Nd:YAG, trabeculoplastia seletiva a laser, conhecida como SLT, ciclofotocoagulação transescleral com laser micropulsado, trabeculectomia, ciclofotocoagulação endoscópica, conhecida como ECP, e implante de drenagem trabecular iStent Infinite. A indicação depende da avaliação individual e não deve ser definida apenas pelo nome da técnica.

A iridotomia a laser pode ser considerada em situações relacionadas ao fechamento do ângulo. A SLT atua na região de drenagem e pode ser discutida em determinados casos de ângulo aberto. A trabeculectomia e os implantes de drenagem criam caminhos para favorecer o controle da pressão. A ECP utiliza visualização interna e energia aplicada aos processos ciliares, estruturas relacionadas à produção do humor aquoso. Cada alternativa tem indicações, limitações e necessidade de acompanhamento.

A cirurgia não desfaz a lesão que já ocorreu no nervo óptico. Mesmo quando a pressão melhora, o glaucoma continua sendo uma doença crônica, que exige seguimento e reavaliações. O cuidado depois do procedimento é parte do tratamento, pois a pressão e o estado do nervo podem mudar ao longo da vida.

Para quem recebeu indicação cirúrgica, compreender o objetivo real ajuda a tomar decisões mais conscientes. A proposta não é prometer visão nova, mas atuar no controle da doença e na preservação funcional possível. A conversa com o oftalmologista deve incluir a técnica sugerida, os motivos da indicação, os cuidados posteriores e as alternativas consideradas no caso.

Perguntas frequentes

Glaucoma sempre causa dor nos olhos?

Não. O glaucoma de ângulo aberto costuma evoluir sem dor e sem sintomas claros no início. Dor forte, especialmente acompanhada de visão turva, olho vermelho, halos, náuseas ou vômitos, pode ocorrer em uma crise de ângulo fechado e exige avaliação rápida.

É possível ter glaucoma e enxergar normalmente?

Sim. Nas fases iniciais, a visão central pode permanecer preservada e a pessoa pode não perceber a perda periférica. Por isso, o exame oftalmológico é importante mesmo quando não há queixa.

Halos ao redor das luzes significam glaucoma?

Não necessariamente. Halos podem aparecer em diferentes alterações oculares, mas merecem investigação quando são novos, intensos ou vêm acompanhados de dor, vermelhidão, visão turva ou mal-estar.

Qual exame confirma o glaucoma?

A confirmação não depende de um único teste. O oftalmologista combina tonometria, avaliação do nervo óptico, campimetria, gonioscopia e, quando indicado, OCT, retinografia e outros exames.

Quem tem familiar com glaucoma precisa investigar?

O histórico familiar aumenta a atenção necessária, mas não determina sozinho que a doença aparecerá. O oftalmologista avalia os demais fatores e orienta o acompanhamento adequado para cada pessoa.

A cirurgia do glaucoma recupera a visão perdida?

Não. A cirurgia pode ajudar no controle da pressão e na preservação da visão remanescente, mas não recupera a perda visual já estabelecida pelo dano ao nervo óptico.

Glaucoma congênito aparece apenas no nascimento?

Ele está presente desde o nascimento, mas os sinais podem ser identificados ao longo dos primeiros anos de vida. Lacrimejamento, sensibilidade à luz, olhos aumentados ou esbranquiçados justificam avaliação especializada.

Glossário

Glaucoma
Doença ocular que pode danificar o nervo óptico e comprometer a visão.
Pressão intraocular
Pressão exercida pelos líquidos dentro do olho, um dos fatores avaliados no glaucoma.
Humor aquoso
Líquido produzido dentro do olho que circula e precisa ser drenado continuamente.
Nervo óptico
Estrutura que conduz ao cérebro as informações visuais captadas pelo olho.
Campo visual
Área que pode ser percebida quando o olhar permanece direcionado a um ponto.
Halos
Contornos ou arcos percebidos ao redor de fontes de luz.
Dr. Francisco Lima

Escrito por

Dr. Francisco Lima

Dr. Francisco Lima

Oftalmologista em Goiânia, especialista em glaucoma e cirurgia de catarata. Doutor em Medicina pela USP, com formação em Harvard e MIT. Membro da Academia Goiana de Medicina. CRM/GO 6.103 | RQE 712.

Continue lendo

Agende sua consulta com o Dr. Francisco Lima

Consulta com tempo dedicado e avaliação criteriosa da sua saúde ocular. Fale com a clínica pelo WhatsApp.

Agendar consulta